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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Árvores Artificiais podem ser úteis na luta contra o Aquecimento Global




Segundo Engenheiros Mecânicos britânicos algumas obras de Geo-Engenharia como as árvores artificiais e os fotobiorreactores à base de algas podem ser vitais na luta contra o Aquecimento Global a curto-prazo, permitindo ganhar tempo.



A Geo-Engenharia não é uma área nova mas investigadores da Institution of Mechanical Engineers, no Reino Unido vêm agora defender num relatório recente que é impossível evitar que ocorram Alterações Climáticas perigosas sem recorrer a estas inovadoras tecnologias.
Actualmente são vários os cientistas que afirmam que temos apenas algumas décadas para reduzir as emissões de carbono para a atmosfera antes que um aumento perigoso da temperatura global seja inevitável. Neste contexto, a Geo-Engenharia surge como ferramenta útil, devendo ser usada em conjunto com outras medidas para reduzir as emissões e para promover uma adaptação aos efeitos das Alterações Climáticas.



No relatório são identificados dois tipos de Geo-Engenharia. Segundo Nem Vaugh co-autor do relatório “A primeira categoria procura arrefecer o planeta reflectindo alguma da luz solar [para o espaço]”. E o autor acrescenta “O outro tipo de Geo-Engenharia permite a remoção de carbono da atmosfera e o seu armazenamento.”



A equipe estudou centenas de opções tecnológicas, mas foram apenas três as que se revelaram exequíveis. A primeira implica a produção de árvores artificiais que absorveriam carbono da atmosfera através de um filtro. Cada árvore artificial teria a dimensão aproximada de um contentor de transporte e seria capaz de remover milhares de vezes mais CO2 do que uma árvore verdadeira do mesmo tamanho. Segundo Tim Fox, co-autor do relatório, cada uma destas árvores poderia absorver 10 toneladas de carbono por dia e apenas 100 000 unidades seriam suficientes para absorver as emissões dos transportes no Reino Unido. Esta tecnologia já existe em protótipo e pode passar à fase de produção em massa brevemente.



O segundo método para remover CO2 da atmosfera faz uso de fotobiorreactores à base de algas, constituídos por recipientes transparentes com algas que ao realizarem a fotossíntese absorveriam dióxido de carbono da atmosfera e que seriam colocados nas fachadas dos edifícios.
Por último, a 3ª alternativa tecnológica que os cientistas sugerem para lutar contra o Aquecimento Global implica a reflexão de parte da radiação solar que incide sobre a Terra de volta para o Espaço, concretizável através da colocação de telhados reflectores nos edifícios.



Segundo Tim Fox, que apresentou o relatório “Acreditamos piamente que a Geo-Engenharia prática que estamos a propor pode ser implementada e pode tornar-se parte da paisagem nos próximos 10 a 20 anos”.


Fonte: BBC News

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Do lixo ao luxo



Ecomoda, green labels, moda verde, sustentável ou ecológica. Tanto faz! O importante é vestir a camisa em prol do meio ambiente

Garrafas pets viram blusas. Películas de cinema transformam-se em bolsas. Planta tradicional da Amazônia torna-se tecido 100% ecológico. Difícil de acreditar? Nada como criatividade, bom gosto e pensamento vanguardista para estilistas levarem às passarelas e para o dia-a-dia uma moda ecologicamente correta.

Os acessórios utilizam material reciclado e as roupas são feitas a partir de fibras, tintas e tecidos naturais, que na hora da produção não utilizam produtos químicos, fertilizantes, pesticidas ou qualquer produto prejudicial à natureza.

A designer Rubia Calazans recicla a película de cinema, material que leva mais de 100 anos para se degradar, na confecção de bolsas, tops, colares, entre outros. "Comecei a reciclar com fitas K7, filme fotográfico e depois veio a película. Reaproveitar sempre fez parte do meu contexto de vida", conta a carioca que faz esse trabalho há 6 anos.

Em todas as peças de Rubia, os acabamentos são feitos manualmente. Uma equipe que faz o processo inicial, mas a finalização fica por conta da designer. O material reciclado é trabalhado com pontos de crochê, fechos de velcro ou metais. Além de ser uma atitude que a natureza agradece, Rubia explora a transparência, opacidade e brilho da película sendo possível visualizar as imagens dos filmes.

No caso de tecidos, existe um exemplo de pesquisa bem sucedida que traduz o esforço e dedicação do estilista Caio Von Vogt. Há aproximadamente 10 anos, ele criou o primeiro tecido 100% ecológico e orgânico do mundo, o EcoVogt, com patente e registro internacional. Este é fabricado pela Companhia Têxtil de Castanhal e feito de fibra de juta, planta cultivada na Amazônia.

Inicialmente, a juta era utilizada apenas na produção de sacos, forração de tapetes, entretelas e outros. A partir da pesquisa desenvolvida por Von Vogt, agora é possível utilizá-la na confecção de camisetas, ecobags (bolsas que substituem as sacolas plásticas), cintos e etc. "O benefício do EcoVogt é que em contato com a natureza leva apenas 2 anos para se degradar, enquanto fibras sintéticas de poliéster levam 100 anos. O plástico 500 e o algodão 10", conta o antenado estilista.

O que faz com que o tecido EcoVogt seja 100% ecológico e orgânico é o processo de utilização de fixadores e amaciantes extraídos de plantas nativas brasileiras na hora do tingimento. São plantas como açafrão, pau-brasil, urucum, entre outras, que trazem a cartela de 12 cores.
Para Von Vogt, o que ajudou a mudar a cultura da reciclagem e faz com que as pessoas se conscientizem é a campanha "Eu não sou de plástico", que inicialmente veio da Europa e dos EUA com a intenção de eliminar as sacolas de plásticos com opções de bolsas na hora de carregar as compras. "Isso veio para clarear a idéia das pessoas", diz o estilista.

Porém, ele afirma que no Brasil temos um problema cultural. "Não é possível mudar da noite para o dia certos hábitos, como fechar a torneira na hora de escovar os dentes ou tomar banho rápido. Para muitos ainda é utópico dizer que a água vai faltar, pois por enquanto não é uma necessidade real", esclarece Von Vogt. Ainda assim ele espera que as próximas gerações sejam mais conscientes, já que todo esse problema sócio-ambiental é muito recente no Brasil, mas tende a ser passado na educação das crianças de hoje.

Nas PassarelasNo São Paulo Fashion Week, em junho, Oskar Metsavaht, estilista da Osklen, causou furor ao utilizar couro e plástico em sua coleção. Mas, segundo o estilista carioca, conhecido por ser pioneiro da moda sustentável, as peças serviram para alertar o que de fato é mo-da ecologicamente correta. Metsavaht reciclou o plástico para fazer chapéus, coletes e capuzes.

Já o couro foi utilizado por haver uma superpopulação de jacarés que afeta o desequilíbrio da fauna na Amazônia. Então, muitas instituições abatem os animais, deixam a carne com a população local e aproveitam a pele para a moda. Além de estilista, Metsavaht é médico e criou o Instituto E para avaliar materiais que não afetem o meio ambiente e que possam ser utilizados pela indústria da moda.
No SPFW, o reaproveitamento de materiais também foi tema das grifes Maria Bonita, UMA e Jefferson Kulig. A primeira utilizou tecidos orgânicos e fibras naturais, ao passo que UMA reciclou borracha prensada sobre tafetá e Kulig mesclou elementos tecnológicos e orgânicos criando a expressão tecnôrganico.

Eco Fashion BrasilPara os universitários ou recém formados em moda, que pensam em fazer roupas conscientes, uma boa opção é participar do concurso Eco Fashion Brasil. É o caso da estudante Romênia Ishiyama, que acredita ser uma necessidade pensar em moda sustentável. "Como estudante e futura profissional tenho responsabilidade e obrigação de ajudar a indústria a encontrar soluções menos agressivas", afirma Romênia.


A universitária irá retratar em sua coleção a Mata Atlântica, que foi preservada em Itacaré (BA) e para isso vai utilizar tecido orgânico, fibra de coco, de juta, entre outros. O concurso utiliza como critério de seleção a inserção da idéia de sustentabilidade na indústria da moda. Sobre os benefícios que o Eco Fashion Brasil traz, Romênia diz que são iniciativas como essa que refletem para onde é preciso caminhar. "A indústria têxtil precisa aprender a cuidar do meio ambiente", afirma a estudante.




Fonte: A Capa.